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Matéria-prima barata garante renda e gera iniciativas criativas

Iniciativas adotadas em diferentes partes do Brasil mostram que é possível aproveitar, o que antes parecia sem nenhuma utilidade, como um simples tronco de madeira – na outra ponta do iceberg - um circuito integrado de um modelo antigo de computador para fazer verdadeiras obras de arte pelas mãos de pessoas desconhecidas. Exemplos claros de que é possível aliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental.

Um dos casos pode ser encontrado no interior da maior floresta do mundo, a Amazônica. Resíduos coletados na natureza por homens e mulheres que vivem na região e madeiras certificadas ou oriundas de áreas de manejo florestal são a matéria-prima utilizada pelo projeto “Design Tropical da Amazônia”. Desenvolvido pela Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (Fucapi), com sede na capital amazonense, a iniciativa é baseada em dois pilares: a utilização do design como ferramenta estratégica de criação e a produção de peças artesanais de alto valor agregado a partir do conhecimento tradicional dos povos da Amazônia.

Para dar vida ao projeto, técnicos da Fucapi realizam um intenso trabalho de pesquisa bibliográfica e de campo a fim de subsidiá-los no momento da criação dos itens. As ideias produzidas são repassadas aos artesãos que, após passar por treinamento específico, confeccionam as peças, dando a elas o seu toque especial. O resultado de todo esse esforço tem sido surpreendente: móveis e peças confeccionados com alto padrão de qualidade e que tem atraído a atenção dos consumidores por unir o rústico ao sofisticado.

O Design Tropical tem contribuído para o resgate e preservação das culturas cabocla e indígena, presente nos traços e detalhes das peças produzidas pelos artesãos. Outro aspecto importante é a transferência de tecnologia inovadora por meio do uso das ferramentas do design, o que tem propiciado a elevação do nível de agregação de valor aos produtos. “As peças apresentam uma nova estética amazônica, resultado do encontro da matriz cultural indígena e cabocla com instâncias contemporâneas do mercado, como funcionalidade e limpeza dos traços”, ressalta Robervando Gonçalves, gestor da Fucapi.

Além disso, o Projeto tem incentivado a chamada cultura empreendedora, baseada nos princípios da economia sustentável, que aliada à marca Amazônia, cujo apelo mercadológico é grande, tem se tornado um diferencial nos cenários nacional e internacional. “A finalidade é produzir objetos de alto valor agregado, de maneira a oferecer aos artesãos do Estado uma alternativa viável para a geração de renda com preservação ambiental”, frisa Gonçalves. Desde sua criação, em 1999, o Design Tropical já beneficiou mais de 200 artesãos e artesãs dos municípios, entre eles, Novo Airão, Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira, Itacoatiara, Maués e São Sebastião do Uatumã e a capital, Manaus.

Peças decorativas do Projeto Design Tropical. Fonte: FUCAPI

A arte do lixo eletrônico

Outra importante iniciativa acontece em São Paulo e diz respeito ao reaproveitamento do que já foi – um dia – utilizado pelo homem: computador, geladeira, televisão e tantos outros aparelhos eletroeletrônicos que, diariamente, viram sucata. Além disso, dependendo da maneira do descarte, esses equipamentos, devido ao material tóxico da sua composição, podem contaminar lençóis freáticos e causar sérias doenças à população.  Entretanto, há nove anos e por acaso, uma aplicação diferenciada foi descoberta pela a artista plástica e artesã Naná Hayne. “Minha impressora e PC travavam a todo o momento e eu precisava imprimir um currículo. Lá pela enézima vez que eu desplugava tudo e replugava, na tentativa de fazê-los funcionar, tive um acesso de fúria, dei um puxão no cabo da impressora, ele se rompeu e vi pela primeira vez o que tinha dentro – ‘fios coloridos’. Então abri o PC, vi a placa-mãe e pensei ‘gente, parece Brasília’ e ali aconteceu a ‘paixão’. Fiquei um bom tempo admirando tantos componentes e com as mais variadas formas, achando tudo lindo. Aquela visão me acalmou e me lembrei do cabo rompido e então, delicadamente, com um estilete, desencapei o cabo da impressora totalmente e o plug me pareceu um aparelho dental, peguei uma tela e com massa modelei uma boca, afixei o plug e comecei a pintar, assim teve início meu trabalho com o lixo eletrônico”, conta Naná.

Assim surgiram as tecnojoias da Naná, peças de design moderno, únicas e bonitas, que atraem o público da Praça Benedito Calixto, em Pinheiros (São Paulo), todos os sábados quando Naná expõe seus produtos. 

Tecnojóias e peças produzidas a partir do e-lixo. Fonte: Naná Hayne.

Por um planeta melhor!

Para o economista Renato Freitas, os impactos sociais, econômicos e ambientais dessas práticas têm se mostrado promissoras por representar, dentre outras coisas, um grande impacto seja na redução no dispêndio de insumos e de energia para extração e transformação de mais materiais básicos seja na redução de custos também na destinação final, afora a geração de renda para profissionais que trabalham nesse segmento de reutilização.

Por Janaina Karla, Larissa Prado, Maria Cristina Monte, Lisângela Costa e Simone Carol Ferreira

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Psoríase: a doença que se sente na pele

O que fazer quando uma doença não é o maior problema de um paciente? Para pessoas que convivem com a psoríase, o grande desafio, muitas vezes, deixa de ser a enfermidade em si. O estresse, a perda da autoestima e o preconceito, que o portador da doença enfrenta, são alguns dos principais transtornos.

A psoríase é uma doença de pele crônica. Pesquisas indicam que vários fatores podem influenciar o seu aparecimento. Uma delas, aponta o fator hereditário, como a genética – aspectos que já nascem com a pessoa – e imunológicos, além de fatores ambientais, ou seja, externos ao corpo humano, como fumo, obesidade, consumo de álcool e estresse. Contudo, até agora, não há como precisar a causa com exatidão. “Em 30% dos pacientes, é comprovada a influência genética aliada ao estresse, consumo de fumo, álcool e inclusive, ao uso de alguns medicamentos”, afirma a dermatologista Rossilene Cruz, da Fundação Alfredo da Matta, instituição da rede pública de saúde do Estado do Amazonas, que atende portadores da doença.

As lesões na pele ocasionadas pela psoríase chamam a atenção. O portador apresenta placas avermelhadas de tamanhos diversos, recobertas por “escamas” esbranquiçadas (na verdade, uma descamação da pele), que podem aparecer em qualquer parte do corpo. Em alguns casos mais graves, a doença pode atingir quase a totalidade do corpo. Existe também a chamada artrite psoriásica, que provoca sérios danos às articulações.

Caso Clínico de Psoríase. Fonte: http://www.atlasdermatologico.com.br/ (Dermatology Atlas)

Isolamento e transtornos

Em uma sociedade que estabelece padrões de beleza, a aparência física da pessoa com psoríase incomoda. Apesar de não ser contagiosa, o aspecto da pele dos portadores gera medo e até repulsa por parte daqueles que a desconhecem. Como consequência, a doença representa um impacto socioeconômico. “Devido ao fato de geralmente acometer pessoas em fase produtiva, o preconceito dificulta a inserção da pessoa que sofre da doença no mercado de trabalho”, explica Rossilene Cruz.

Além disso, a doença influencia no convívio social, levando pacientes ao isolamento social. Em muitos casos, deixam de frequentar locais públicos por receio de serem discriminadas. Muitos perdem a autoestima e passam a não se aceitar. É justamente, nesse momento, que os transtornos emocionais aparecem.

A psoríase não tem cura, mas controle. Estudos indicam que em torno de 80% dos casos são manifestações dos tipos leve ou moderada da doença, podendo ser controlados com medicação de uso tópico. O restante dos casos, mais agressivos, precisa de monitoramento mais cuidadoso e medicamentos mais potentes. O tempo de duração do tratamento é variável, podendo ser feito mediante o uso de drogas costicóides, os conhecidos antiinflamatórios esteróides, e imunemoduladores, aquelas que alteram a resposta imune.

Caso Clínico de Psoríase. Fonte: http://www.atlasdermatologico.com.br/ (Dermatology Atlas)

O segredo está na mente?

Aspectos psicológicos e o estresse são tidos como principais agentes que proporcionam o aparecimento, recaídas e até a piora da doença, podendo interferir diretamente no sucesso do tratamento. A psicóloga da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Marilda Lipp, em seu livro “Mecanismo Neuropsicofisiológicos do Stress: teoria e aplicações clínicas”, amplia essa discussão. Ela afirma que a psoríase pode ser ao mesmo tempo consequência do estresse, como também ela própria gerar estresse emocional no indivíduo. As reações são bastante diferenciadas e, portanto, a doença também pode se manifestar de modo único em cada paciente.

Vítima da doença há mais de um ano, o aposentado Tales Nunes da Fonseca, de 85 anos, afirma que a doença já lhe causou bastante desconforto. “É uma sensação muito desagradável. Logo no começo, minha pele das mãos ficou bastante avermelhada e descascava diariamente. Às vezes, não conseguia nem sair de casa”, disse. Os primeiros sintomas da psoríase surgiram logo após uma fratura do quadril, o que sinaliza que, no caso do paciente, a doença pode ter sido desencadeada por motivos emocionais de estresse, como informa a doutoranda em Medicina, Jane Lira, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Já com a jornalista Cristina Monte foi diferente. Ela sabe bem como a psoríase pode repentinamente surgir e depois desaparecer. “Tive uma crise de estresse há mais ou menos seis anos. Surgiram manchas rosas, de textura diferenciada, em meu corpo e rosto, que coçavam muito. A dermatologista diagnosticou como sendo psoríase. Tomei a medicação e fui alertada de que novas crises poderiam acontecer, mas nunca mais tive outra crise”, afirma.

Cristina é um exemplo de que a psoríase pode ser controlada e mais ainda, que cada indivíduo responde à doença de modo diferente. A jornalista, conhecida por seu bom humor, reforça a teoria de especialistas que são a favor de aliar medicação a medidas que diminuam o estresse ou, ao menos, que o paciente aprenda a conviver melhor com fatores estressantes. “Para as pessoas com dificuldade em lidar com o estresse, acompanhamento profissional e grupos de apoio são boas alternativas”, orienta a médica especialista.

Por Janaina Karla, Larissa Prado, Maria Cristina Monte, Lisângela Costa e Simone Carol Ferreira

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Gestantes são mais suscetíveis a desenvolver quadro grave de malária


Predominante na Região Amazônica, a malária é considerada um dos mais sérios problemas de Saúde Pública, que tem afetado milhares de pessoas no Brasil. Em gestantes, há registro de 6.546 casos no ano de 2010, sendo 364 só em Manaus. É o que aponta os estudos realizados pela médica infectologista e doutora em Medicina Tropical, Flor Martines-Espinosa, pesquisadora do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) e da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMT-AM).

A malária é uma infecção causada por um parasito do gênero Plasmodium, podendo ser vivax ou falciparum, transmitida pela picada das fêmeas de mosquitos do Anopheles darlingi. No Brasil, a quase totalidade dos casos (99,8%) ocorre na Amazônia Legal, onde há condições propícias à transmissão, em função dos fatores ambientais que facilitam a manutenção e a formação de criadouros naturais do anofelino, o principal vetor da doença.

Manaus é um dos três municípios (com Porto Velho e Cruzeiro do Sul) responsáveis por 22,5% dos casos notificados no país. Conforme dados da Fundação de Vigilância e Saúde do Amazonas (FVS-AM), foram registrados 10.041 casos no primeiro trimestre de 2011 e 19.321 casos registrados em 2010. Em gestantes a doença é definida como a presença de formas assexuadas do Plasmodium no sangue materno, em algum momento durante a gravidez, ou na placenta.

Fêmea do mosquito Anopheles darlingi, transmissora da malária.

Durante o estudo Malária e gravidez na região Amazônica: diagnóstico, tratamento e acompanhamento clínico-laboratorial de pacientes da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas, a pesquisadora Flor Ernestina acompanhou diversas parturientes no Ambulatório Especial de Malária em Gestantes (AEMG) da FMT-AM eobservou 757 episódios de malária em gestantes no período de 2005-2007 ocorridos em 508 mulheres, sendo apenas 123 por P. falciparum (20,56%) tipo que transmite a forma mais perigosa da doença.

A pesquisa revelou que 35,88% das gestantes tinham menos de 22 semanas de gestação, 55,14% estavam entre 22 e 37 semanas em risco de parto prematuro, sendo 25,5% com ameaça de aborto, 1% com ocorrência de aborto e 1% de parto prematuro. Segundo a pesquisadora, identificar o problema e dar atenção às pacientes acometidas de malária na gestação despende menos recursos do que tratar as consequências, visto que os partos prematuros, por exemplo, demandam vagas nas UTIs neonatais a um custo econômico e social muito alto.

Já no estudo Malária durante a gravidez: efeito sobre o curso da gestação na região Amazônica, os pesquisadores Flor Ernestina, Eda Chagas, Cristiana do Nascimento, Franklin Simões de Santana Filho e Camila Bôtto apontam que a alteração no estado de imunidade causada pela gravidez, torna as gestantes vulneráveis à malária e ao risco de apresentar complicações como anemia grave da malária e óbito tanto da mãe como da criança, pois aumenta a possibilidade de aborto espontâneo, prematuridade e baixo peso ao nascer. A pesquisa aponta que a malária grave em gestantes está associada entre 20 a 30% de morte materna, e a mortalidade perinatal está relacionada à febre alta materna, que causam contrações uterinas.

Durante a pesquisa constatou-se que a alteração no curso da gestação é frequente em gestantes durante o episódio agudo de malária, com baixa ocorrência de aborto, que pode ter sido atribuído ao diagnóstico na fase inicial e tratamento apropriado em centro de referência para doenças infecciosas onde também são praticadas ações de prevenção e controle da malária. Os autores ressaltam que “as mulheres constituem um grupo que costumeiramente busca cuidado médico, principalmente durante a gestação, o que representa uma oportunidade de intervenção precoce e adequada, com acompanhamento durante toda a gestação, reduzindo, assim, o prejuízo para a saúde materno-fetal e contribuindo para a redução da mortalidade infantil, sobretudo nos primeiros anos de vida.”

O pré-natal realizado desde o início da gravidez é um importante aliado por evitar efeitos negativos quando se descobre precocemente esta e outras doenças.

As gestantes com malária frequentemente apresentam sintomas como dores na cabeça, na região lombar inferior, nas articulações, nos músculos, além de febre, calafrios, urina escura, suor excessivo e vômito. Nos casos confirmados também são comuns alterações no curso da gestação como a ameaça de aborto (sangramento vaginal e contrações uterinas) e de interrupção da gestação (aborto e parto prematuro) e infecção placentária.

Nos casos mais brandos, orienta Flor Ernestina, o tratamento pode ser acompanhado na rede básica de saúde, mas em caso de complicações como dificuldade respiratória, densidade parasitária muito elevada, alteração do estado de consciência, sangramento não vaginal, deve-se procurar um centro de referência para doenças infecciosas, como a FMT-AM, para internação. E quando ocorrer sangramento vaginal, contrações uterinas, saída de líquido amniótico (existente na placenta), e ausência de movimentos fetais por tempo prolongado deve-se recorrer à maternidade mais próxima.

Financiamento em rede

Diante da situação epidemiológica da doença no Brasil, o Ministério da Ciência e Tecnologia e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) criaram, em parceria com as Fundações de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam), do Pará (Fapespa), Maranhão (Fapema), Minas Gerais (Fapemig), Mato Grosso (Fapemat), São Paulo (Fapesp) e Rio de Janeiro (Faperj) a Rede Nacional de Pesquisas em Malária (Rede Malária), uma iniciativa que destina R$20 milhões para o desenvolvimento de pesquisas através da colaboração de pesquisadores de diversas instituições, visando racionalizar recursos e procedimentos, bem como facilitar a gestão de resultados, esperando com isso obter subsídios para a implementação de políticas públicas de saúde para combater a malária.

Já os estudos citados na matéria foram financiados pela Fapeam, com o apoio de instituições como a FMT-AM, as universidades Federal (Ufam) e do Estado do Amazonas (UEA), Centro Universitário Nilton Lins e Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia). 

Por Ana Paula Gióia, Anália Barbosa, Eurivânia Galúcio, Sídia Ambrósio, Sigrid Avelino e Síglia Regina

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Elas tentam parar de fumar mais que os homens

Pesquisas indicam que mulheres podem ter mais dificuldades para deixar o cigarro ou que estão começando a fumar mais que os homens

Na luta histórica por direitos iguais, as mulheres, ao conquistarem novo espaço na sociedade e no trabalho, também adquiriram hábitos que eram, culturalmente, masculinos. O hábito de fumar é um deles. E, apesar do impacto à saúde ser o mesmo para homens e mulheres, atualmente, as políticas públicas têm uma preocupação especial quando se trata da discussão sobre a relação entre saúde da mulher e o tabagismo.

Enquanto as pesquisas mostram que o uso de tabaco entre os homens tem sofrido redução, mesmo que pequena, nos últimos cinco anos, entre as mulheres o consumo tem se mantido estável ou até mesmo apresenta crescimento em algumas capitais.

Em 2006, quando foi iniciada a pesquisa do sistema VIGITEL – Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico, realizada pelo Ministério da Saúde, anualmente, em todas as capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal - foi registrada no país uma prevalência de 20,2% de fumantes entre a população do sexo masculino com idade igual ou superior a 18 anos. No ano passado, a pesquisa mostrou uma prevalência menor: 17,9%. Já a prevalência entre as mulheres não apresentou grande alteração entre 2006 e 2010, mantendo-se na casa de 12%.

A situação é muito parecida no município de Manaus, onde foi registrada uma queda no número de pessoas que se declararam fumantes na pesquisa, mas também mostrou que a redução foi menos significativa entre as mulheres. A prevalência entre os homens passou de 20,7% em 2006 para 17% em 2010 e entre as mulheres o índice passou de 8,9% para 7,1% no mesmo período.

A coordenadora do Programa de Prevenção e Controle do Tabagismo do município de Manaus, enfermeira Marlene Lessa de Souza, explica que prevalência entre as mulheres mantendo-se de forma estável ou mesmo apresentando crescimento em algumas capitais do país é um dos motivos pelos quais a pesquisa ainda não mostrou uma redução mais significativa.

“Em 2006, Manaus, por exemplo, apresentava uma prevalência entre a população maior de 18 anos de 14,5% de fumantes, hoje esse número é de 11,8%. Podemos concluir que a redução total entre a população está mais relacionada com a redução de fumantes homens. Se a população fumante do sexo feminino se mantém estável, isso pode significar duas coisas: as mulheres têm mais dificuldades para deixar o cigarro ou que mais mulheres estão começando a fumar”, destaca Marlene Souza.

Impactos na saúde

Com mais de 4.730 substancias nocivas para a saúde, o cigarro tem um impacto mais preocupante sobre a saúde a mulher por potencializar problemas específicos das peculiaridades biológicas femininas.

Além das doenças cardiovasculares, tipos diferentes de cânceres e doenças respiratórias, a fisiologia feminina traz complicações que os homens não apresentam.

“A questão hormonal é uma preocupação constante porque a mulher fumante potencializa problemas como a menopausa precoce, que agrava os riscos de doenças cardiovasculares e as dores no período menstrual também são mais frequentes nas mulheres tabagistas”, explica Marlene Souza.

O uso de pílulas contraceptivas em tabagistas também é considerado um grave risco para o sistema circulatório, já que o monóxido de carbono, um das substâncias da composição do cigarro, promove a baixa oxigenação na circulação sanguínea: aumenta em 39 vezesriscos de doenças coronarianas e em 22 vezes os riscos de acidentes vasculares cerebrais.

Entre as mulheres que desejam engravidar e que não usam métodos contraceptivos hormonais, a presença do tabagismo diminui a taxa de fertilidade de 75% para 57%.

Um dos principais desafios para os serviços de saúde é fazer com que mais mulheres consigam parar de fumar. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD/2008) mostrou que mulheres tentam parar de fumar mais do que homens. O problema é que elas têm muito mais dificuldades.

A enfermeira Marlene Souza explica que a principal causa dessa dificuldade seria o tipo de relação emocional que as mulheres normalmente têm com o cigarro. “A mulher fumante passa a ter o cigarro como uma espécie de companheiro. Além da dependência física, existe uma dependência psicológica, comportamental e sentimental. Pesquisas mostram que o estado emocional das mulheres influencia mais o fumar feminino do que o masculino”, ressalta a enfermeira.

Rita Hayworth coloca charme no tabagismo, estrelando o filme Gilda (1946). Foi garota propaganda dos cigarros Chesterfield: “Todos os meus amigos sabem que Chesterfield é a minha marca”.

Prevenção na adolescência para evitar novos fumantes

Uma das estratégias da Organização Mundial da Saúde (OMS) é trabalhar a prevenção ao uso do cigarro, principalmente porque o número de fumantes entre mulheres jovens e crianças vem aumentando. Uma pesquisa realizada pelo IBGE, em 2009, mostrou que 24,2% de escolares no nono ano, entre 14 e 15 anos, já experimentaram cigarro.

A mesma pesquisa apontou que o município de Manaus está um pouco acima da média nacional com 24,4%. “O Ministério da Saúde tem pesquisa comprovada que 50% dos escolares que experimentam acabam se tornando fumantes. E 90% dos fumantes começaram a fumar com menos de 18 anos. Por isso, uma das nossas metas é trabalhar a prevenção junto às escolas”, informa Marlene Souza.

A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) também está intensificando o processo de implantação dos Ambulatórios de Tratamento de Fumantes nos Distrito de Saúde de Manaus. Atualmente, são dez ambulatórios implantados e até o final do ano mais dois serão instalados no Distrito de Saúde Rural.

As pessoas que procuram os Ambulatórios de Tratamento de Fumantes recebem atendimento multiprofissional, com médico, psicólogo, fisioterapeuta, enfermeiro, nutricionista, odontólogo e assistente social. O tratamento é feito em grupo, por meio da terapia cognitivo-comportamental. Dependendo do quadro clínico, o paciente recebe, inclusive, tratamento medicamentoso.

Publicidade do início da década de 50, período em que as mulheres começam a fumar

Por Ana Paula Gióia, Anália Barbosa, Eurivânia Galúcio, Sídia Ambrósio, Sigrid Avelino e Síglia Regina

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Mudanças climáticas não atingem Amazônia

Ainda não há como assegurar que a maior floresta tropical do mundo já esteja sob efeito das mudanças climáticas

Modelos de medições climáticas realizados nos últimos dez anos pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) apontam que a floresta amazônica não apresentou grandes alterações no comportamento climatológico da região.

Os registros acumulados pelas estações meteorológicas do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA) do Inpa – programa que teve a Nasa (EUA) como parceira –, mostram que em grande parte da Amazônia brasileira, o clima não sofreu grandes alterações.

Com base em observações registradas por 20 estações meteorológicas espalhadas por toda a Amazônia, em algumas regiões dos Estados do Amazonas e Pará, por exemplo, não há relatos de alterações na quantidade de chuvas, ao contrário, elas permanecem seguindo uma média linear.

Fotos: Sídia Ambrósio


“Não há mudança anual nem na estação seca e nem na estação chuvosa. Algumas regiões tiveram maior incidência de chuvas, porém, sempre seguindo uma mesma média”, revelou o coordenador de pesquisas do Inpa, Antônio Oncimar Manzi.

De acordo com o pesquisador, com os dados atuais obtidos por meio das torres observatórios – são 13 em toda a Amazônia, abrangendo os Estados do Amazonas, Pará, Tocantins, Mato Grosso e Rondônia - ainda não há como assegurar que a maior floresta tropical do mundo possa ter sido atingida pelas mudanças climáticas que estariam mexendo com o comportamento climatológico do planeta Terra.

Uma das 13 torres observatórias. Esta fica no Km34/BR 174, Amazonas

“Mas, isso é interessante porque se pegarmos os últimos dez anos de medidas em Manaus, por exemplo, teremos uns anos mais quentes e outros mais chuvosos. Então, por conta disso, considerando esses índices, não dá para dizer ao certo se houve mudanças ou não no clima da Amazônia”, declara.

No entanto, Manzi destaca que outros resultados apontam que em grande parte da Amazônia, a evapotranspiração e a fotossíntese aumentam no período seco comparado ao período chuvoso. Isso acontece porque, em geral, em quase todas as regiões estudadas, a quantidade de chuva é maior no período chuvoso e isso faz com que o solo fique bem suprido de água ao fim da referida estação.

“A estação seca se caracteriza por uma quantidade menor de nuvens, então, a radiação solar chega com maior intensidade à superfície. Com mais energia disponível e sem a falta de água, a tendência é que a fotossíntese seja mais eficiente e com isso, aumenta a evapotranspiração e aumenta a assimilação de carbono na atmosfera”, explica.

Resultados

Questionado em quanto tempo os resultados das medições poderiam assegurar uma possível mudança climática na Amazônia brasileira, Manzi ressalta que as pesquisas utilizam previsões de longo prazo. Porém, ele enfatiza que a questão em relação às chuvas, apresenta alguns dados interessantes.

“Os modelos climáticos utilizados nos relatórios do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC – sigla em inglês) são contraditórios. Existem modelos que projetam reduções drásticas de chuvas em parte da Amazônia, o que levaria à grande mortalidade de árvores da nossa floresta e até mesmo à mudança de clima que não comportaria mais florestas tropicais na região. Mas, há também modelos que projetam o aumento de chuvas. Então, a incerteza com o que vai acontecer no futuro ainda é muito grande”, relata.

Para o cientista, o que precisa ser feito então é seguir com o monitoramento da Amazônia. “Esse é o principal papel do LBA/Inpa – monitorar a Amazônia e, eventualmente, se houver uma mudança, vamos poder estar observando esse fato o mais breve possível. Por exemplo, se em uma determinada região identificarmos a redução do número de chuvas e se isso estiver coerente com o resultado de algum modelo, vamos poder, eventualmente, estar contribuindo com políticas públicas que se adequem à essa realidade. Como exemplo disso, podemos citar os programas de manejo florestal”, relata.

Na visão do pesquisador, o acompanhamento permanente dos ecossistemas da floresta amazônica assegura mais confiança no cenário projetado por um ou mais grupos de modelos (já que eles são divergentes) e, a partir disso, contribuir para que os órgãos governamentais possam definir ou subsidiar políticas públicas na região.

::: Fique Sabendo

Mudanças climáticas são alterações nas condições do clima da Terra, tais como aquecimento do Planeta, redução das chuvas em determinadas regiões geográficas, aumento da intensidade de furacões, ciclones e secas. As mudanças climáticas são geradas pelo aquecimento global. Esté é o resultado do aumento do efeito estufa na atmosfera terrestre.

Tempo X Clima A metereologia chama de tempo as condições instantâneas e variáveis da atmosfera, tais como mudança de temperaturas de um determinado lugar, do dia para noite, mudanças de pluviosidade de um dia para o outro, mudanças de umidade, entre outros.

Clima, por outro lado, são variações do tempo que tendem a seguir um padrão regular, característico de cada região do Planeta. O clima de cada região depende de diversos fatores, como latitude, seu relevo, sua vegetação, a proximidade com o mar, e outros. Estes fatores, em geral, não variam rapidamente, de forma que o clima de cada região tende.

Por Ana Paula Gióia, Anália Barbosa, Eurivânia Galúcio, Sídia Ambrósio, Sigrid Avelino e Síglia Regina

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As Doenças do Descaso

Elas são como fantasmas da saúde pública. Não aparecem, mas afetam quase um bilhão de pessoas no mundo, segundo o relatório da Organização Mundial da Saúde do ano passado. Estão principalmente entre os países do Hemisfério Sul, justamente os mais pobres do Globo, aqueles na faixa chamada de Tropical. Há quem defenda que a localização geográfica desse grupo de doenças seja um dos principais fatores de negligenciamento. Não há investimentos em pesquisas suficientes para que a ciência encontre tratamentos eficazes e adequados. Enquanto isso, as doenças tropicais avançam justamente sobre a população pobre.

O relatório mais recente das Nações Unidas aponta ainda outra forma de negligenciamento: doenças que já haviam sido controladas, voltam a atingir as populações por causa do relaxamento da vigilância epidemiológica. Foi o correu no Brasil com a dengue, por exemplo. Depois do principal vetor, o mosquito Aedes aegypti, ter sido isolado na década de 70, o poder público não manteve medidas de controle. Nos anos 90, a dengue voltou fortalecida: um único mosquito durante sua vida – que é de 45 dias – pode infectar até trezentas pessoas. Hoje, o país vivencia grandes surtos de dengue pelo menos a cada três anos.

O mesmo ocorreu com a leishmaniose. A doença, causada por um protozoário e transmitida pelo flebótomo Lutzomyia, antes era comum nas zonas rurais do país. Mas há pelo menos dez anos, a leishmaniose é encontrada com frequência também nas periferias das cidades, principalmente pela falta de controle da migração de pessoas do campo e pelo desmatamento das florestas no entorno urbano, gerado pelo crescimento desordenado das cidades.

Das dez doenças tropicais neglicenciadas listadas pela OMS, quase todas tem incidência no Brasil. Elas causam cegueira, úlceras e cicatrizes, geram danos, as vezes irreversíveis, aos órgãos internos e ao desenvolvimento físico e mental do paciente. Matam em muitos casos.

Embora não sejam um problema exclusivo da Amazônia, é nessa Região do país que as doenças tropicais negligenciadas viraram um grave problema de saúde pública. Causadas na maioria das vezes por microorganismos transmitidos por insetos que encontram nas florestas seu habit natural, a vasta Região Amazônica tem ambiente natural apropriado para a multiplicação dos vetores dessas doenças infecciosas.

Felizmente é também na Amazônia que se concentram os esforços para diminuir o impacto sobre as populações.  O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA, trabalha no desenvolvimento de um kit com base molecular para a identificação rápida e eficaz da Leshimaniose. Já em teste, o kit possibilita o diagnóstico preciso em áreas isoladas da Região, evitando assim, deformidades físicas causadas pelo tratamento tardio.

É no INPA também que cientistas tentam rastrear a propagação da doença de Chagas.  Na Amazônia o agente transmissor – o Rhodinus – é um barbeiro de espécie diferente de outras regiões do Brasil. Os pesquisadores do Instituto estão tentando estabelecer qual a relação entre este barbeiro e as palmeiras.

Nos últimos anos, os dois principais surtos da doença de Chagas em municípios do interior do Amazonas estiveram ligados ao consumo de açaí contaminado com o besouro transmissor. Os primeiros resultados da pesquisa mostram que os açaizeiros não são habitat do barbeiro, mas o contágio pode se dar pela manipulação dos cachos do fruto sem técnica adequada. Durante o transporte dos açaizais até os locais de beneficiamento, os cachos estariam entrando em contato com outras palmeiras, essas sim, próprias para o desenvolvimento do hospedeiro. O estudo sobre a ecologia do inseto pode ajudar a evitar o contágio.

Entre todos as tentativas para o combate das doenças tropicais realizadas por institutos de pesquisa na Amazônia, os avanços mais significativos estão nos trabalhos relacionados à malária. Não é por acaso que existe uma mobilização entre cientistas para achar maneiras de controlar a doença. O protozoário da malária é um inimigo poderoso: possui alta capacidade de adaptação a diferentes microambientes amazônicos para sua reprodução. Para piorar, o fenômeno natural de cheias e vazantes anuais dos rios favorece a multiplicação dos mosquitos. O vetor, o Anopheles Darlingi, está espalhado por toda a Região Amazônica.

Enquanto os esforços mundiais para se chegar a uma vacina contra a malária ainda não obtem sucesso,  pesquisadores da Amazônia tentam achar medidas eficazes de controle. O maior problema está na resistência aos medicamentos adquirida pelo protozoário. Pelo menos a cada dez anos, os remédios que combatem o mal no organismo humano devem ser trocados porque não fazem mais efeito. Da mesma maneira os mosquitos também ficam resistentes aos inseticidas.

O laboratório de Entomologia do INPA tenta desenvolver uma fórmula a base de cal e cloro que possa matar as larvas dos mosquitos em criadouros de grande extensão de forma econômica e sem prejuízos ambientais.  Também buscam um repelente natural que possa substituir a longo prazo os produtos comerciais que têm em sua fórmula a molécula DEPP, um repelente obtido sinteticamente. Até agora a andiroba, o óleo de uma árvore típica da Amazônia, está entre os produtos naturais que mostram maior eficiência em repelir mosquitos.

Uma outra frente de combate está no estudo do genoma do darlingi. INPA e Instituto LNCC de Petrópolis trabalham no sequenciamento do DNA do mosquito para que no futuro o gene do darlingi possa ser modificado. Seria uma espécie de mosquito trangênico, incapaz de hospedar o protozoário da malária.

Por enquanto, a principal forma de combate está no diagnóstico e tratamento precoses dos pacientes e na identificação dos grupos de risco. O Instituto de Medicina Tropical do Amazonas através do financiamento do Instituto Bill e Melinda Gates comprovou que gestantes estão mais sucessíveis a contrair malária. Cerca de 80% das grávidas pegam malária pela primeira vez durante a gestação, mesmo que sempre tenham morado em áreas endêmicas. Em cada dez casos, pelo menos um evolui para a forma grave da doença.

Essas informações podem orientar políticas públicas, pacientes e profissionais da saúde na identificação da malária durante a gravidez. O tratamento é possível e evita abortos expontâneos.

Por enquanto, são mobilizações como estas, pontuais e eficientes, que tentam chamar atenção para o grave problema social que representam as doenças tropicais negligenciadas, mal silencioso que mata ou deixa sequelas para a vida toda.

 

 equipe:

Cristiane de Lima Barbosa
Salete Lima
Rosilene Medeiros
Laurianne Franco
Daniela Assayag
Cláudia Regina

Foto: Laurianne Franco

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Pesquisa em Direito Ambiental na Amazônia: a necessidade de pensar o homem

A Amazônia é impressionante aos olhos do mundo inteiro. A diversidade biológica aqui encontrada é alvo há séculos da exploração não-planejada dos recursos naturais, mas apenas nas últimas décadas houve esforços para a regulamentação de leis ambientais que pensassem a realidade amazônica, incluindo os povos que habitam a floresta. Motivada por essa necessidade, Andréa Borghi, professora do Programa de Pós-graduação em Direito Ambiental da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) desenvolveu a pesquisa Antropologia e Direito Ambiental: notas sobre o exercício interdisciplinar em contextos amazônicos.

Quando se pensa na exploração ou degradação dos recursos ambientais, geralmente as populações tradicionais, que habitam e dependem de uma determinada parte da floresta para sua subsistência, também são postas no banco dos réus, junto com as grandes empresas que exploram legalmente ou ilegalmente os recursos naturais. Esclarecer o papel de todos os grupos sociais que utilizam a biodiversidade amazônica e suas obrigações legais é uma necessidade urgente, já que as leis não mudam  tão rápido quanto os hábitos e costumes da sociedade.

 Sua pesquisa acentua que o Estado,  como poder público, regulamenta a transformação do ambiente, legitimando os meios de se apropriar e capitalizar a natureza, transformando os recursos naturais em produtos de mercado. Por outro lado, ela esclarece que a união das teorias críticas do Direito e da Antropologia levariam a uma nova forma de pensar  este poder concentrado nas mão do Estado, o papel do homem , sua relação com o meio ambiente e as leis ambientais.

Neste sentido, legislar sobre o meio ambiente precisa incluir na lógica do Direito as populações e orientar  a intervenção humana de forma equilibrada. Enquanto a  Antropologia estuda o homem e suas diferenças, e o Direito possui o foco na regulação do comportamento. Ambas as disciplinas pensariam  espaço social a partir dos diferentes agentes que se relacionam no âmbito ambiental, sejam industrias de exploração, empreendimentos, o Estado e as comunidades tradicionais.

Porém, incluir os seres humanos nesta lógica ainda não é uma prática comum, e é justamente esse o ponto central do estudo desenvolvido.  “A Antropologia nos chama a atenção de que o Direito Ambiental não é uma questão sem sujeito. Quando falamos em meio ambiente, não podemos fixar só na norma e se esquecer de observar o que acontece no mundo, na realidade”, diz Borghi.

 Uma das coisas que nos chama a atenção é que muito ainda falta ser feito para uma nova prática da proteção da biodiversidade amazônica , principalmente em relação aos  registros de marcas e patentes de recursos biológicos e de conhecimentos tradicionais do homem amazônico.  Muitas empresas afirmam acordos técnicos e parcerias, mas algumas agem sem o conhecimento do Estado na bioprospecção de recursos genéticos, cuja fonte de dados geralmente são os conhecimentos das populações indígenas e ribeirinhas. Muitas substâncias obtidas na fauna e flora local são alvo de patentes e laboratórios estrangeiros, e o monitoramento a este acesso é pouco efetivo. Por exemplo, a secreção cutânea do sapo verde (Phyllomedusa bicolor), utilizada por povos indígenas da Amazônia Brasileira , que possui propriedades analgésicas e antibióticas, já é alvo de dez patentes internacionais, sendo quatro delas norte-americanas.

Para conhecer mais sobre o curso de direito ambiental, acesse www.uea.edu.br

 equipe:

Cristiane de Lima Barbosa
Salete Lima
Rosilene Medeiros
Laurianne Franco
Daniela Assayag
Cláudia Regina

Foto: Carol da Riva

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População de botos está em risco em Tefé (AM)

A redução da espécie geralmente é atribuída à crendices popularesCrendices populares e mesmo a pesca predatória colocam a espécie em situação vulnerável no Amazonas

Eles estão por todo o Rio Orinoco e Rio Amazonas, podendo ser encontrados de Belém/PA até Peru. Atraem por sua beleza exótica e também por seus atributos comerciais. Estamos falando do boto vermelho ou boto cor-de-rosa (Inia Geofensis) que está em risco de ser extinto por vários fatores, dentre os preponderantes está a pesca predatória desse golfinho fluvial.

A redução da espécie é atribuída à crendices populares, tais como a de que partes do corpo dos botos servem como amuletos e ingredientes para porções “mágicas”. Populares costumam usar sua parte genital como amuleto para a sorte no amor e ainda, os caçam para fazer rituais religiosos. Alguns botos são encontrados mortos com suas nadadeiras retiradas e um nome escrito com uma faca em sua cauda.

O trabalho ‘A relação entre a comunidade pesqueira no município de Tefé-AM e a população local dos botos vermelhos’, coordenado pelo mestre em zoologia e professor da Universidade do Estado do Amazonas, Thiago Elisei, indica que em Tefé, município amazonense distante a 516 quilômetros de Manaus, há registros de agressões a botos principalmente por essas causas.

O objetivo do estudo desenvolvido no âmbito do Programa de Apoio à Iniciação Científica (Paic), financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), é de revelar a relação entre a comunidade pesqueira do município de Tefé e a população local de botos.

 A graduanda em Ciências Biológicas da UEA e bolsista do Paic, Ana Caroline Hermes, uma das responsáveis pela pesquisa, explicou que foram realizadas entrevistas com os pescadores de Tefé que utilizam o rio para suas atividades. “Trata-se de um questionário etnozoológico para revelar essa relação dos pescadores com os botos vermelhos”, explicou.

Dos 50 pescadores entrevistados, 43 descreveram o boto vermelho como prejudicial à pesca, causando danos aos artefatos pesqueiros, o que gera uma visão negativa destes cetáceos frente aos pescadores locais. “Dentre estes danos, eles relataram furos nas malhadeiras e roubos de peixes”, disse a pesquisadora.

Segundo ela, quando foi questionado sobre o que os pescadores fazem para diminuir estes danos, os entrevistados responderam   que nada fazem contra os botos; outros, no entanto, revelaram que agridem com terçados e remos e a minoria afirmaram apenas bater na água ou fazer algum tipo de barulho para afastá-los.

A pesquisadora, no entanto, explicou que eles são animais muito curiosos e eventualmente se aproximam dos pescadores, embarcações e nadadores, mas podem apresentar também comportamentos crípticos, ou seja, se escondem do homem.

 

Relação desarmônica

O levantamento serviu para comprovar ainda mais que há uma relação desarmônica entre a colônia de pescadores com os botos existentes na localidade. “É dessa forma que este projeto busca contribuir com a formulação de políticas públicas e elaboração de um plano de manejo para reduzir os danos a esses animais, já considerados em situação vulnerável”, afirmou.

O cenário atual gera preocupação na comunidade científica com a preservação desta espécie, apontando para a necessidade de um diálogo com os pescadores. “Estamos atentos ainda a resguardar os saberes e cultura da comunidade ribeirinha”, disse a pesquisadora.

O estudo indica que neste diálogo devem ser contempladas as informações sobre a importância dos botos para a população pesqueira e  o meio ambiente. “Esta pesquisa gera dados iniciais para um possível plano de manejo no rio Tefé, a fim de minimizar os porblemas causados a ambos os grupos envolvidos na relação boto-pescador”, assegurou Hermes.

 

Veja alguns números da pesquisa

Quais os danos que os botos causam?

58% furo nas malhadeiras

25% roubo de peixes

17% não souberam informar

 

Sobre o período que os pescadores avistam os botos:

76% avistam o ano todo

10% só no verão

14% não souberam informar

 

 

Sobre os botos

O Boto-Vermelho (Inia geoffrensis) é o maior dos golfinhos de água doce do mundo. Os machos podem atingir até 2,5 m de comprimento e pesar 180 kg. As fêmeas atingem mais de  2,10 m e 100 kg de peso. Os filhotes nascem cinza, e tornam-se rosados com a idade. Machos adultos são mais rosados do que as fêmeas devido ao maior porte e pela intensa abrasão na pele causada por brigas intraespecificas. As nadadeiras peitorais são grandes e largas, e a nadadeira dorsal é longa e baixa.

O boto-vermelho é encontrado em todos os tipos de rios (água preta, branca e clara), nas bacias dos rios Amazonas, Orinoco e Beni/Mamoré. Alimenta-se principalmente de peixes e são geralmente solitários.

A principal causa de mortalidade é a captura acidental nas redes de pesca. Mortes intencionais por pescadores acontecem eventualmente devido ao comportamento da espécie em retirar peixes das redes, causando estragos aos petrechos de pesca. (Fonte: http://www.amigosdopeixe-boi.org.br)

equipe:
Cristiane de Lima Barbosa
Salete Lima
Rosilene Medeiros
Laurianne Franco
Daniela Assayag
Cláudia Regina

Crédito foto: http://sozettaslow.files.wordpress.com/

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Fotos tiradas durante a Visita ao  Centro de Preservação de Mamíferos e Quelônios da Amazônia (CPQA).

Por Ana Paula Gioia - Aluna do Curso de Especialização em Divulgação e Jornalismo Científico em Saúde na Amazônia   e Assessora de Comunicação da unidade da Fiocruz na Amazônia

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Fotos do 4.º Encontro Fapeam de Jornalismo e Ciência  ocorrido na Usina Hidrelétrica de Balbina, no dia 22 de julho de 2011.

Detalhes da Programação no link http://www.fapeam.am.gov.br/noticia.php?not=5456

 Fotos de Ana Paula Gioia - Aluna do Curso de Especialização em Divulgação e Jornalismo Científico em Saúde na Amazônia   e Assessora de Comunicação da unidade da Fiocruz na Amazônia


Fotos: